“Com a pandemia, descobrimos o poder da cooperação”
O 15º Encontro de Cooperados foi marcado por importantes reflexões sobre o mundo pós-pandemia. Convidados a abertura do evento, os pensadores Mário Sérgio Cortella e Leandro Karnal abordaram, com leveza e otimismo, as transformações provocadas pelo surgimento do novo coronavírus e as tendências comportamentais para os próximos anos.
Para Cortella, o grande impacto das mudanças na sociedade se deu pelo ritmo acelerado com que a nova doença impactou a rotina das pessoas: “O que estamos vivendo em 2020 abalou profundamente nosso modo de ser e de fazer. Sentimos o tranco de descobrir que somos vulneráveis e nos vimos expostos a um adversário invisível, que não nos deu tempo necessário para entender que exercitar a humildade e ressignificar a vida é urgente”, afirmou.
Durante o bate-papo mediado pelo jornalista Rogério Corrêa, os palestrantes resgataram fatos que marcaram a história da humanidade para falar sobre o potencial transformador da crise que estamos enfrentando.
“As grandes guerras suscitam sentimentos contraditórios. Episódios em que vivemos uma espécie de fim do mundo fazem surgir heróis e canalhas. Mas é preciso acreditar que o sofrimento de hoje provocará catarse e despertará o melhor de nós”, destacou o historiador Leandro Karnal.
Leandro compartilhou ainda suas percepções sobre a força que move o ser humano e o tornou capaz de superar adversidades que levaram à extinção animais fisicamente mais resistentes: “Nós, humanos, temos a capacidade de nos adequar às situações. Somos frágeis e dependentes, mas, também, os mais aptos, os mais resilientes às transformações”, disse.
“A nossa sobrevivência se dá pela união, pela crença de que juntos somos mais fortes e podemos nos organizar para construir novas histórias. Somos positivistas estratégicos”, completou.
Nesse contexto, o filósofo Mário Sérgio Cortella destacou o cooperativismo como a saída para o caos: “Com a pandemia, descobrimos o poder da cooperação. Em meio à decepção de saber que não somos capazes de tudo, aprendemos que só a colaboração, a união de conhecimentos e das perícias de cada um nos fortalece e gera o vigor necessário para vencermos nossas fragilidades”.
“O ambiente de dor não impede que sejamos otimistas. Ser humano é ser capaz de dizer não ao que parece não ter saída. Todos nós podemos nos reinventar, prova disso é que não nascemos prontos. Nos desenvolvemos ao longo da nossa tragetória. Por tudo isso escolho ser um realista esperançoso. Acredito que após o rompimento que vivemos teremos sabedoria e, juntos, encontraremos alternativas que nos permitirão regar a esperança, recriar a nossa história e vencer”, completou Cortella.
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Recado especial para os cooperados Unimed-BH
Convidados a deixarem um recado para os cooperados Unimed-BH, os palestrantes ressaltaram a relevância da atuação dos profissionais da saúde no enfrentamento da pandemia e convidaram o público do evento a repensar sua atuação, adequando o exercício da medicina aos novos tempos que estão por vir.
“Estamos vivendo o apogeu da ciência. Apesar de termos nos distanciado da onipotência descobrindo que não temos respostas para tudo, o papel do médico na sociedade é inquestionável. Nesse momento é importante reconhecer nossas limitações e saber que no conhecimento podemos encontrar armas para uma atuação de excelência sem perder de vista um conceito antigo e fundamental na medicina: a humanização, o cuidado com o outro e com as suas necessidades”, refletiu Karnal.
Para Mário Sérgio Cortella, ter consciência de que somos frágeis é importante para o despertar de um novo modo de ver e viver a vida: "Que sejamos capazes de escutar no silêncio para identificar e tratar a dor do outro com empatia, sensibilidade. Nascemos com uma fragilidade de partida: a certeza da morte. Portanto, não podemos desperdiçar a chance que temos de nos recriar e seguir, dia a dia", completou o pensador.